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De absurdo a possível. Estudo britânico sugere que Portugal saia do euro

Portugal poderia evitar uma longa depressão económica e criar mais emprego se fizesse aquilo que muitos pensam, mas que ninguém admite em voz alta: sair voluntariamente da zona euro, defende o estudo “Por que o euro deve acabar”, publicado pela Capital Economics, consultora britânica na área económica. Os economistas portugueses contactados pelo i admitem as dificuldades impostas pelo euro, mas rejeitam em bloco o canto de sereia de uma saída voluntária da moeda única.

“Não estamos em condições de sair da zona euro – o que não significa que ficar seja bom”, comenta o economista Ricardo Paes Mamede, professor no ISCTE, em Lisboa. “Do ponto de vista económico seria muito difícil fazer a transição por factores como o facto de o país estar endividado sobretudo em euros”, junta.

Para muitos observadores externos – sobretudo anglo-saxónicos – o eventual fim do euro ou a saída dos países mais fracos é uma questão passível de ser debatida. Ontem, numa longa reportagem sobre Portugal, o “Financial Times” apontava que “a noção de que a zona euro se pudesse fragmentar era vista pelos economistas como sendo absurda” e que agora passou a ser “meramente improvável”. Não é só dos tradicionais “inimigos do euro” – norte-americanos e ingleses – que vêm as análises negativas: em Maio, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Shäuble afirmou que se um país do euro for incapaz de consolidar as suas contas ou de melhorar a sua competitividade “deve, em último recurso, sair da união monetária, mantendo-se como membro da União Europeia”.

Para Christopher Smallwood, economista da Capital Economics, as condições enunciadas pela Alemanha são a razão pela qual países como Portugal teriam a ganhar com a saída do euro. Do lado das contas públicas, o estudo aponta que o ajustamento orçamental imposto pelas regras do euro irá durar muito depois do horizonte previsto até agora pelos líderes políticos. “O nível pedido de aperto orçamental não é algo que possa ser rapidamente atingido, apesar da determinação em aplicar os actuais cortes. Terá de continuar por muitos anos”, aponta Smallwood. O impacto da consolidação orçamental na economia será fortemente recessivo e vai exigir mais medidas duras aos governos – entretanto, a subida da dívida pública significa que, mesmo depois de estabilizado o défice, os governos terão de continuar de cinto apertado para conseguir, no mínimo, estancar o peso do endividamento e da respectiva montanha de juros.

Mas o pior nem é o ajustamento público: é o esmagamento prolongado dos salários no sector privado para tentar recuperar competitividade externa. Com o investimento e o consumo apertados pela dívida e pelas dificuldades de financiamento, Portugal só pode contar com as exportações para crescer – e, para isso, terá de embarcar “num longo e doloroso” processo de deflação de preços e de salários. Após a reunificação, a Alemanha levou dez anos a recuperar competitividade externa, com estagnação total de salários num contexto externo largamente positivo – agora, concorrendo na mesma moeda que Portugal, a capacidade alemã obriga os países mais fracos a melhorar, sob pena de acumularem enormes défices externos. Para os países periféricos, no actual cenário negativo, este ajustamento poderá levar mais de uma década de estagnação, com subida do desemprego. Para Portugal, isso representaria 20 anos sem crescimento económico – o suficiente para questionar os proveitos de pertencer a euro.

A Capital Economics aponta que a saída teria como vantagem a possibilidade de desvalorizar a moeda e aumentar as exportações sem um choque nos salários e preços. Em Portugal, a opinião não colhe apoios. “O país desvalorizou a sua moeda ao longo de décadas e isso contribuiu em nada para a subida da produtividade do país”, aponta o economista Filipe Garcia, da consultora IMF, no Porto. Outro problema: o político. “Os que ficam no euro dificilmente aceitariam ver os vizinhos a ganhar competitividade à custa de desvalorizações cambiais”, aponta Paes Mamede.

Depois há o facto de não existir uma saída ordeira do euro. “Quem tinha activos em Portugal quereria desfazer-se deles para evitar a desvalorização da moeda, investindo no estrangeiro”, explica Paes Mamede. O estudo da Capital Economics diz que o buraco de fundos na banca – causado pela fuga de capitais – poderia ser compensado com financiamento externo ou do Banco de Portugal. Entretanto, o problema poderia ser compensado com depósitos suficientemente remunerados que atraíssem de volta o dinheiro. Quanto ao peso do euro na dívida, e sem falar no caso português, o estudo admite que seria necessário “algum nível de incumprimento ou reestruturação” da dívida.

Economia à parte, há factores políticos a considerar, como o facto de o euro ser a coluna vertebral do mercado europeu, que por sua vez está no centro da construção europeia, nota Paes Mamede. Por agora o fim da moeda única não é assumido na Europa – e muito menos em Portugal, onde há outras razões para a questão nem entrar no debate público “Muitos políticos, incluindo respeitados professores universitários, empenharam as suas carreiras na entrada no euro – falar da saída é algo que não se discute”, aponta ao i um académico que preferiu o anonimato.

http://www.ionline.pt/conteudo/87529-de-absurdo-possivel-estudo-britanico-sugere-que-portugal-saia-do-euro
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